Adaptada - Instituto AOCP 2021 Policial Penal
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O quadro de incertezas imposto pela pandemia de covid-19 deixou especialistas em alerta com relação a alguns
vícios presentes entre os brasileiros, como o tabagismo e o alcoolismo. O aumento significativo no consumo dessas drogas
durante este período preocupa o professor do Departamento de Saúde Mental da Faculdade de Medicina da UFMG,
Frederico Garcia, coordenador do Centro de Referência em Drogas da universidade, que estima uma possível epidemia de
dependência química após a atual situação sanitária.
Em pesquisa realizada pela Fundação Oswaldo Cruz em 2020, 18% dos entrevistados relataram aumento no
consumo de álcool e 34%, de tabaco.
Segundo o professor Frederico Garcia, isso pode ser explicado pelo isolamento social exigido durante a pandemia
e a consequente restrição de liberdade. “Esse consumo pode vir como um remédio assintomático que tem consequências
a longo prazo”, afirma. Ainda segundo ele, já existem estudos que acompanharam contextos de guerras e epidemias e
verificaram sua relação com o aumento no consumo de drogas.
Há quem diga que uma dose de vinho ou um cigarro por dia não faz mal a ninguém, mas o segredo está na genética
de cada pessoa. A tendência de se desenvolver um vício por álcool ou tabaco pode se tornar real com o primeiro contato
com a droga. “A pessoa que tem essa predisposição genética deve fazer todo o esforço para evitar o consumo precoce e
diário dessas substâncias, porque o risco de se tornar dependente é significativo e importante”, frisa o professor.
O professor explica que as populações de baixa renda, do sexo masculino e de maior idade são os principais alvos
do tabagismo, diferentemente das bebidas alcoólicas, cujo consumo envolve, geralmente, adolescentes entre catorze e
quinze anos de idade de maior renda, sendo o núcleo familiar o principal meio de iniciação ao vício.
Com o passar dos anos, o que era um uso temporário se transforma em dependência e, na falta da droga, surge a
síndrome de abstinência como um dos principais problemas a serem enfrentados. A ausência da droga no organismo
resulta no aumento da atividade do sistema nervoso, que deixa o indivíduo inquieto e incomodado. Em alguns casos,
pode-se chegar a situações de agressividade e culminar com problemas físicos, como convulsões e alteração da pressão
arterial. “A abstinência é uma urgência clínica que precisa ser avaliada e tratada porque ela pode ser, em alguns casos, até
mortal”, avalia o professor.
Além da abstinência, as drogas também podem desenvolver outros transtornos. No caso do tabaco, a nicotina é
a principal atuante no organismo e pode causar hipertensão, afetar o metabolismo da glicose e gordura e alterar o apetite.
Já o álcool afeta os processos inflamatórios e provoca esteatose hepática, ou seja, um acúmulo de gordura no fígado.
Os primeiros passos para o tratamento de dependências como o tabagismo e o alcoolismo é reconhecer o vício,
suas consequências negativas e optar por uma mudança de hábitos. Após o diagnóstico, é preciso compreender o papel
da droga no cotidiano do indivíduo e o que impulsiona o seu uso recorrente.
Acompanhamento médico e terapia farmacológica com o auxílio de remédios também são necessários, uma vez
que podem agir para controlar a síndrome de abstinência e impedir o avanço de doenças psiquiátricas. O contato frequente
com parentes e amigos, mesmo de forma remota, nestes tempos de pandemia, pode amenizar o estresse diário para que
se evite o consumo de bebidas alcoólicas e cigarros.

Internet: <medicina.ufmg.br> (com adaptações).

No que diz respeito à pontuação no texto, estariam preservadas a correção gramatical e a coerência do texto caso fosse inserida uma vírgula após o termo

A
“covid-19” (linha 1).
B
“estudos” (linha 10).
C
“vinho” (linha 12).
D
“gordura” (linha 26).
E
“álcool” (linha 27).

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Q4B3CC0E112. PontuaçãoInstituto AOCP

A pontuação está inteiramente correta em:

Q8DFB427612. PontuaçãoInstituto AOCP

Contribuição de um antropólogo

A maior contribuição do antropólogo Claude Lévi-Strauss
(que, ainda jovem, trabalhou no Brasil, e morreu, centenário, em
2009) é de uma simplicidade fundamental, e se expressa na
convicção de que não pode existir uma civilização absoluta
mundial, porque a própria ideia de civilização implica a coexis-
tência de culturas marcadas pela diversidade. O melhor da
civilização é, justamente, essa “coalizão” de culturas, cada uma
delas preservando a sua originalidade. Ninguém deu um golpe
mais contundente no racismo do que Lévi-Strauss e poucos
pensadores nos ensinaram, como ele, a ser mais humildes.
Lévi-Strauss, em suas andanças pelo mundo, foi um
pensador aberto para influências de outras disciplinas, como a
linguística. Foi ele também quem abriu as portas da antropo-
logia para as ciências de ponta, como a cibernética, que era
então como se chamava a informática, conectando-a com novas
disciplinas como a teoria dos sistemas e a teoria da informação.
Isso deu um novo perfil à antropologia, que propiciou uma nova
abertura para as ciências exatas, e reuniu-a com as ciências
humanas.
Em 1952, escreveu o livro Raça e história, a pedido da
Unesco, para combater o racismo. De fato, foi um ataque feroz
ao etnocentrismo, materializado num texto onde se formulavam
de modo claro e inteligível teses que excediam a mera
discussão acadêmica e se apoiavam em fatos. Comenta o
antropólogo brasileiro Viveiros de Castro, do Museu Nacional:
“Ele traz para diante dos olhos ocidentais a questão dos índios
americanos, algo que nunca antes havia sido feito. O
colonialismo não mais podia sair nas ruas como costumava
fazer. Foi um crítico demolidor da arrogância ocidental: os
índios deixaram de ser relíquias do passado, deixaram de ser
alegorias, tornando-se nossos contemporâneos. Isso vale mais
do que qualquer análise.”
Reconhecer a existência do outro, a identidade do outro,
a cultura do outro – eis a perspectiva generosa que Lévi-Strauss
abriu e consolidou, para que nos víssemos a todos como
variações de uma mesma humanidade essencial.

(Adaptado de Carlos Haag, Pesquisa Fapesp, dezembro 2009)

Foi um crítico demolidor da arrogância ocidental: os índios deixaram de ser relíquias do passado.
O sinal de dois-pontos da frase acima pode ser substituído, sem prejuízo para a correção e o sentido, por

QE4D11D5B12. PontuaçãoInstituto AOCP

É preciso corrigir a redação da seguinte frase:

QE164275212. PontuaçãoInstituto AOCP

A partir da observação do período “Outro fator relevante é despertar no aluno o interesse por aqueles conhecimentos básicos para uma comunicação eficiente, seja com o discurso escrito seja com o falado.” (l.13-14) podemos afirmar que: